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A PROPSITO DO CONTO MESTRE FINEZAS, DE MANUEL DA FONSECA
Publicado em   22 mai 2010

Disciplina de Lngua Portuguesa  -   Vrios autores





Mestre Finezas - as peas de pedra

Mais um dia aqui dentro, fechado, abandonado como o meu mestre, aquelas pernas fracas e estas cordas enferrujadas, aquela pele fria, amarga, rugosa como montanhas e esta madeira apodrecida, feia, sem valor, so coisas insignificantes. A mscara que era branca, capas de esconder sentimentos, agora preta e incapaz de os conter.
- Estamos a ficar insignificantes aos olhos dele.
- Qual a diferena? Ele tambm est a ficar aos nossos.
Porque ficmos velhos? Uma vida feita volta da msica e do teatro. Ser que merecemos isto?
- Sem isto, o mundo no avanava. Ainda me lembro do primeiro dia em que ele me usou na famosa pea ?O Fantasma da pera?. At eu sentia as vibraes da sua felicidade, o bater do corao era tal que me fazia tremer.
- Bons tempos foram esses, a maneira como ele me vibrou as cordas foi estonteante e magnfica. Senti o pblico tremer, foi o momento mais feliz das nossas vidas, incluindo a dele.
- Interminveis foram as peas. Houve uma altura em que me senti de tal maneira deprimido que metia medo, era isso o que a sua cara me dizia, eu apenas o escondia.
- Tambm eu senti isso nos seus dedos, que ficavam cada vez mais velhos e secos. Sentia pena dele.
- Nessa altura, vi nos seus olhos escurido, um cu preto, vazio, espera de ser sugado para um universo infinito cheio de cores piores que o amargo preto.
- A vontade de partir era interminvel, mas no foi a. Ele decidiu viver com isso e ficar connosco para ver o seu reflexo do passado, e temos que agradecer-lhe por isso. Devemos permanecer e morrer com ele aqui, neste stio escuro que nos guarda para a outra vida e separa o quente do frio. A terra.

Ricardo Bernardo, 9. A



Ildio

Numa tarde chuvosa de Dezembro, muitos anos depois de mestre Ildio Finezas ter dado a alma ao criador, passei junto sua barbearia.
A porta estava fechada e a madeira estava carcomida pelo tempo, apresentava uns buraces que permitiam ver o seu interior. Tudo era velho, sujo e cheio de teias de aranha.
Numa mesa, onde outrora mestre Finezas colocava alguns frascos de uma fraqussima gua de colnia, estava o velho violino cheio de p. Do lado esquerdo, numa pequena prateleira encontrava-se a mscara do teatro, igualmente velha e muito desbotada.
Conversavam baixinho e o som chegava at mim quase diludo.
Encostei um ouvido a um dos buracos existentes na porta e entendi o que diziam:
querido violino, lembras-te dos momentos de glria e de alegria que vivemos juntos? ? perguntava a velha mscara.
Se me lembro? Que saudades eu tenho do bom mestre Finezas!...
- Por que seria que a personagem que ele interpretava com a minha mscara quase sempre morria em cena?
- A sua paixo pelo teatro e pela msica! Por isso tantas vezes agarrava em mim para dedilhar belas melodias. Revelavam o seu dinamismo interior, o seu esprito de justia e de vontade de que os fracos vencessem; ento, era v-lo ir, heroicamente Ao encontro da morte, nas cenas que representava.
- Se assim era, fico contente ? ripostou a mscara. ? E tu foste feliz nas mos de mestre Finezas?
- Oh! Se fui feliz! Pena foi que as pessoas da aldeia, talvez pela sua pouca sensibilidade musical, nunca o tivessem apreciado como ele merecia. Apenas o Carlitos gostava de o ouvir, mesmo em criana.
- Quanto ele sofreu com o abandono e incompreenso daquele gente! ? acrescentou a mscara com tristeza.
- Ns e o Carlinhos nunca o abandonmos ? disse o violino, dando um estremeo, como que a querer soltar notas de uma doce melodia.
Na verdade, foi o Carlitos que ouviu a ltima msica tocada por aquele velho triste, desgostoso da vida, mas com algum talento!

Maria Santos, 9. A



Enfatuadas Artes

A confuso comeou com uma mscara ? teatro ? e um violino ? a msica.
A mscara simboliza a representao; esconde os nossos rostos, dando vida a mltiplas personagens? uma metfora para a efgie de personalidades importantes ou imaginrias por profissionais ? os actores.
O violino, rei dos instrumentos, a obra-prima de Estradivrio? suas notas singulares fazem lembrar o choro dosa amantes, a paixo dos vencedores, o entusiasmo na expectativas, a ambio dos sonhos.
Discutia-se a importncia de cada um na vida de mestre Ildio Finezas, naquilo que representam para ele e para a sua personalidade.
- Ambos fomos marcantes na sua vida, mas claro como gua que o teatro foi o seu bem mais precioso, a sua arte predilecta, a sua fonte de ntimos aplausos? - argumentou a mscara.
- Ento e eu? Eu era a ponte do seu corao para o exterior. Por mim passaram sentimentos de fria, em espera de amenar, de solido, com fome por companhia, de tristeza, procura de consolo, de alegria, que ele queria partilhar? Eu era a sua porta aberta para as pessoas. ? ripostou o violino.
- Ele era, de facto, um artista completssimo: o seu espectculo era uma manifestao da fantasia, os rebeldes sentimentos que se voltavam uns contra os outros, contra a audincia, contra ele prprio! ? relembrou a mscara.
- Tenho saudades da forma como ele me tocava: aquele vigor nas suas mos agora trmulas, o queixo firme, agora cansado, apoiado a mim? o fogo nos seus olhos que brilhavam de orgulho, de prazer, naquele exibicionismo nas ruas.
- verdade? Ele desistiu dos palcos, j no serve para a ribalta; j no decora os textos, j no se movimenta da mesma maneira, treme por todo o lado? E o seu cabelo? To grisalho?
- Ao menos, sabemos que o ajudmos e o fizemos feliz em tempos. Se no fssemos ns, ele no seria assim! ? exclama a mscara.
- Que saudades do velho mestre Ildio Finezas?

Beatriz Cardoso, 9. A



Soneto melodioso

Estava o violino chorando?
Uma msica de embalar.
Veio a mscara cantando?
Para o conseguir alegrar.

As notas saam a saltar?
Do Finezas que as tocava.
Era uma msica de louvar?
quele que a escutava.

? Que tendes vs para me mostrar?
violino, mscara!...
? Mestre Finezas, vamos tocar!

Triste e melodioso talvez,
Mas preciso na sua arte,
Mestre como este era uma vez!...

Pedro Monteiro, 9. A



DEFINIO DE VELHO

Um velho um comboio de memrias que viaja pelas recordaes, que fala por cdigos tristes, dialectos de ternura, como um sorriso.
Um velho sou eu ? sou eu quando sonho, sou eu quando aprendo; sou eu no futuro? porque um velho aquele que conhece, aquele que transmite, aquele que pensa nas mais nfimas probabilidades quando perdido na monotonia do tempo.
Beatriz Cardoso, 9. A


Um velho, acima de tudo, um mestre da vida, um Homem que desvendou os segredos do tempo, que amou e que sofreu.
Carla Guerra, 9. A


O velho uma mquina gasta.
O velho estante cheia de recordaes.
O velho um dicionrio, o qual precisamos consultar para aprender.
O velho futuro sbio.
Serafim Barroca, 9. A


A velhice uma espera?
Ctia Nunes, 9. A


Velho um poo apaziguador a quem os jovens recorrem quando se sentem perdidos.
Maria Santos, 9. A


Associo essa palavra imagem de um ancio?
Um velho sbio. J conhece as partidas que a vida prega, sabe prever as coisas melhor que ningum. No tem esperana, pois acha que j viveu o que tinha para viver, j deu o que tinha a dar. Penso que ningum sabe o que vai dentro da cabea de um velho. Um mar de histrias, vivncias, desiluses?
Ana Guedes, 9. A


Ser velho recordar, tornar-se um vitorioso, vencer a morte e a vida. Ser velho tornar-se um insacivel contador de histrias; fazer-nos lembrar que a vida vale a pena, apesar das derrotas e dificuldades. Ser velho ser feliz, voltar a ser criana, desobedecer os filhos e os netos. Por isso, com muito orgulho, digo: eu quero ser velha, quero poder apreciar as pequenas coisas da vida das quais nunca nos damos conta.
Anna Cardoso, 9. A


Velho um homem cheio de experincias de vida que rema contra a mar, cansado, e com desejo de dominar o tempo?
EduardoVidigal , 9. B


uma pessoa que, apesar de ser de idade, vive a sua vida como se no houvesse amanh.
Ins Aguiar, 9. B


A idade no um facto importante, mas sim a vontade de viver e de no estar gasto e parado a lamentar-se e a tentar reviver o passado.
Jaime Sousa, 9. B


Um velho uma pessoa muito sbia, com muita cultura, muita sabedoria, mas, acima de tudo, um amigo.
Joo Pedro Machado, 9. B


Deve ser respeitado mais que ns, adolescentes, porque j descobriu o que para ns um mistrio, a vida.
Pedro Paixo, 9. B


Um velho a sabedoria fisicamente.
Mrcia Carvalho, 9. B


Um velho aquele que, apesar de tudo, por vezes continua.
Marta Almeida, 9. B


Eles tm sempre algo de inspirador para nos dizer, sempre algo inteligente.
Miguel Pinto, 9. B



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